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Conference · 2025-03-05
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Este é um podcast RTP Antena 3. Há mais para descobrir em antena3.rtp.pt
Vocês sabem lá. Com Alexandre Guimarães.
Bom dia e boa viagem para quem segue com a RTP Antena 3. Daqui Alexandre Guimarães, vocês sabem lá. Um programa no qual entrevistamos personagens presentes e que oscilam na indústria da música. não só cantores e autores, mas também pessoas que influenciam muito o que acontece muitas vezes no backstage. Ainda recentemente recebi aqui a malta da Vamo Creative, a produtora, o XZ Imafalda Leal da Costa, o XZ é o realizador Imafalda, a produtora, portanto eu tenho sempre também tentado falar com a malta que não está tão presente à frente das câmaras, mas que muitas vezes é vital para que este ecossistema funcione. O caso de hoje é alguém que muitas vezes está à frente das câmaras, enquanto DJ Al Gore Mas no seu nome próprio, Max Ferreira, muito bem-vindo A RTP Antena 3 está muitas vezes atrás do que vemos nos palcos, nas gravações, nos álbuns Vamos começar mesmo porque é verão e já estamos 100% em modo festivais Tu e para quem trabalha em festivais de verão, muita gente já se cruzou contigo Pode não saber o teu nome, mas a tua cara é familiar Porque estás muitas vezes a andar a 300 km por hora num festival E a soar por todos os lados E a falar com alguém e ao telefone com outra pessoa no segundo a seguir Tens um trabalho que envolve alguma pressão E é mesmo sobre isso que vamos falar A pergunta é simples O que é, o que faz um stage manager?
Pronto, então, um stage manager E bom dia, antes de mais Um stage manager tem como obrigação Aliás, como tarefa, controlar todos os aspectos do funcionamento de um palco Portanto, no meu caso, quando chega a um palco Faço o overview primeiro da montagem Quadros elétricos, corredores técnicos Regi as barreiras de segurança, etc E depois passamos também à parte das equipas Portanto, tenho a meu cargo os horários da equipa de som De luz, de vídeo, de segurança Também os stage hands, que são aquelas pessoas que São extremamente úteis E que nos ajudam a carregar tudo o que é preciso Para dentro e para fora do palco O trabalho mais físico São pessoas que sofrem bastante Mas que têm um valor mesmo inestimável E pronto, também as equipas das câmeras Acabamos por controlar um bocadinho Tudo o que se passa em cima do palco
Tal como há um manager de uma equipa na Deloitte Exatamente Que está a controlar a Malta para fazer um business plan Sei lá para que empresa A tua empresa aqui é um palco
Exatamente, então basicamente entregam-nos Os artistas ou a equipa dos artistas À entrada do palco E nós tratamos de tudo Desde que eles sobem as escadas Desde as montagens de manhã para o soundcheck Ou seja, montagem de cenários De estrados, o posicionamento das coisas Que depois temos que marcar Para quando as bandas rodam sabermos onde é que se posicionam
E por isso é que vemos muitas vezes em vídeos Várias fitas no chão
Exato, basicamente cada banda tem uma cor de fita E tentamos Com mais ou menos confusão Dependendo do número de bandas que fazem soundcheck Marcar individualmente Para quando rodamos as bandas Ou seja, fazemos o changeover Quando sai uma banda e entra outra Para sabermos onde é que estavam as coisas No ensaio Isso é como a televisão
A televisão também funciona assim Na televisão em direto é ensaiada E eu lembro-me disto Porque agora falo do festival da canção Mas no fundo
E cada atuação tem também uma fita
E eles no fundo Os câmaras depois já sabem onde é que têm de colocar No artista número 4
Exato, e essas marcações é bom porque acabam Por não aparecer assim tanto As câmaras normalmente focam para cima dos pés Então a malta passa assim despercebido
Exatamente, falaste-me em changeovers E há aqui um glossário que vamos tentar Explicar durante o episódio Mas um dia normal num festival E já vamos ao pré Porque quero também perceber qual é a antecedência E sei que esta semana estás com o Small Summerfest Em mãos Mas um dia normal Vamos imaginar que estamos no primeiro dia do Small Summerfest Como é que isto funciona A que horas é que te aparece à frente Um artista que vai atuar nesse palco
Então por acaso acabei de fazer os horários Coisa de uma hora Portanto estou aqui familiarizado Então o dia 3 do Small Ou seja, o primeiro dia do festival Basicamente as equipas vão chegar por volta das 7h30 da manhã Vai ser assim a um arranque cedo Porque queremos tentar dar soundchecks A maior parte das bandas Temos 6 bandas seguidas Acontece de não dar Acontece não dar e vai acontecer E também já expliquei isso Mas então temos seis bandas E vamos chegar às sete e meia da manhã Para começar a receber bandas às oito Temos primeiro a última banda Portanto os soundchecks normalmente fazem-se por ordem inversa Dos que tocam Ou seja o headliner é o primeiro a fazer soundcheck Porque costuma ser a pessoa que tem mais cenário E mais necessidades em termos de tempo Para testar
E é o que fica também com as coisas arrumadas lá atrás
Portanto muito também do trabalho De um stage manager Para além da função principal que é controlar os horários Ou seja, é muito importante cumprirmos os horários Desde o soundcheck até a hora dos concertos Para nada falhar Mas também temos essa vertente de arrumação E às vezes é muito complicado Porque os palcos têm espaço limitado Então recebo uma banda às 8 da manhã Vamos carregar tudo o que eles precisarem para cima do palco Fazer as primeiras montagens Já vamos ter os strados montados da noite anterior Para esta primeira banda pelo menos Os strados basicamente é Todas as bandas, se olharem para um palco Reparam que existem plataformas Onde os músicos estão E as plataformas para facilitar A estrutura das bandas e dos festivais São standardizadas Em plataformas de 2 por 1 metros Ou seja, que é o estrado básico E todas as plataformas Que vêm são múltiplos Desses 2 por 1 metros Cada banda tem as suas necessidades E mais um termo Que é o stage plot Cada banda tem o seu stage plot Que é o desenho de como ficam em palco E que normalmente identificam Nesse desenho as luzes As posições no palco E o número de estrados, plataformas Que precisam e aonde Quando chegam posicionam mais ao milímetro Mas eu gosto de ter as bandas a chegar Esta banda vai chegar às oito da manhã Eu às sete e meia já vou ter os estrados mais ou menos Onde estão no desenho Para eles chegarem e montarem logo no palco Então vamos ter soundchecks para quatro bandas das seis Portanto isto vai decorrer Entre as oito da manhã E abertura de portas Que é às 4 da tarde
Quanto tempo demora um soundcheck?
O soundcheck em si E quando feito por equipas mais oleadas E mais experientes Não demora muito tempo Demora mais tempo a montagem muitas vezes
5 minutos ou 25 minutos
Eu gosto de dar uma hora Para testarem mesmo tudo Mesmo quando são bandas com muitas vias Mas por exemplo um MC com DJ Faz o soundcheck em 20 minutos São duas vias do DJ Mais a voz ou backing vocals se precise, portanto nos nossos concertos mais pequenos quando levamos um MC a alguma terra, 20 minutos chegam-nos e sobram-nos, não é preciso estar com grandes coisas, mas aqui nos festivais e no sumó particularmente, muitas bandas trazem atos especiais concertos próprios para o sumó que vão ser feitos uma vez então tem mais preocupação em ter tempo de soundcheck então aqui vou tentar dar uma hora a cada pessoa, portanto como as montagens das 8 da manhã serão para ir até às 10, depois o soundcheck será das 10 às 11 e partimos daí E tenciona acabar o soundcheck se tudo correr bem Da última banda, da quarta banda Às três e meia Portanto com meia hora de margem para a abertura de porta
Este episódio vai para o ar Um dia depois de acabar o small summer
Saberemos então se foi um sucesso ou um desastre Se for um desastre já haverão de ver no Instagram Ou assim alguma coisa Mas em princípio vai, espero que não
Tu durante o soundcheck estás só a tentar perceber
Sim, tentar despachar E tentar já fazer a montagem da banda a seguir Eu já estou mais preocupado em montar os trados Off stage, ou seja, fora do palco Da banda a seguir, do que propriamente Tentar fazer micromanagement Do soundcheck da banda que está em palco Para isso tenho a minha equipa de som e luz E os meus técnicos que confio bastante E eu pronto Estou a ser stage manager há 5 ou 6 anos Mas recorro muito Às minhas equipas, antes de tomar as decisões Penso numa decisão a tomar Sobre os assuntos mais variados Mas tento recorrer e perguntar Sempre à pessoa responsável Se for de som ou à pessoa do som Se for de luz ou pessoa da luz O que é que acham dessa decisão que eu estou a tomar Porque são pessoas que apesar de não terem A função de stage manager Têm muito mais experiência muitas vezes do que nós E pá, acho que É sempre bom recorrer a eles Ou seja, estava a dizer Tenciono acabar os soundchecks às 3h30 E tenho esta margem de meia hora Das 3h30 às 4h Para se alguma coisa correr mal, recuperar E para se tudo correr bem, consigo também testar o som Da primeira banda que vai entrar em palco Com essa última meia hora Porque às três e meia tiro a quarta banda que fez o soundcheck E ponho a banda que já vai ficar em palco Para ser a primeira atuação E se forem rápidos o suficiente Conseguem ainda testar antes das portas abrirem
Acontece que neste caso A última banda a ter soundcheck Não é a primeira banda a atuar
Sim, neste caso sim Será a terceira banda a atuar Ou seja, as duas primeiras estão ali na corda da banda Ou seja, a segunda banda a atuar Não vai ter soundcheck nunca Quase de certeza A primeira banda, se todos se despacharem Conseguem entrar no palco e ainda testar ali um bocadinho o som Que é uma coisa Que quando dá é ótimo
Esta hierarquia funciona um pouco Pelo horário em que tocas, não é?
Sim, o horário e às vezes não só o horário Mas também a tua importância Para o booking, para o festival Muitas vezes o headliner não é o último, é o penúltimo Mas funciona assim com Com o moral que tu tens, basicamente, no mundo da música Pronto, e basicamente é isso Estou para ver Se conseguimos cumprir os horários Mas creio que sim
E a tua rotina num dia destes?
A minha rotina?
Porque eu em festivais, tanto a trabalhar como a usufruir Já convivemos Eu a estar nos dois modos Eu acho que sempre te vi que estavas a trabalhar
Pois, eu por causa não vou a festivais Não te vejo muito a curtir Acho que agora o Rock in the Rio Foi bom o festival, bom, bem montado Mas eu é que já não estou muito no mudo
Pois, já levaste como demasiado profissional Para conseguir usufruir
Já me estragou ali um bocado infelizmente A experiência dos festivais
Eu percebo isso Eu ainda consigo ir a usufruir Também porque eu acho que o meu trabalho É muito menos intenso que o teu Tenho direitos e tal Mas mesmo fisicamente e de horário não tem nada a ver Tu muitas vezes estás acordado 24 horas seguidas ou às vezes mais
Sim, e este vai ser um desses casos Este festival
Eu vejo muita malta a dormir Em caixas muitas vezes
Normalmente debaixo dos palcos E já disse isso algumas vezes Mas debaixo dos palcos principais especialmente Há autênticas cidades A malta tem desde grelhadores a redes A colchões Tudo se passa lá em baixo É um microcosmos das equipas técnicas Uma cidade subterrânea Portanto a qualquer altura do dia As pessoas estão fora do seu turno Estão encontradas a dormir debaixo do palco A descansar Porque não compensa ir a casa Aqui nestes festivais maiores temos hotéis A maior parte de nós Ou quartos para ficar Mas às vezes os turnos, mesmo com quartos Os turnos são tão apartados que não compensa Para as equipas de som e luz E mesmo para os stage ends As empresas mães tentam coordenar De modo que eles terem turnos de 10, 12 horas E de modo a rodarem E conseguirem todos descansar as outras 10, 12 horas Mas nós como stage managers E pronto É uma das desvantagens se calhar Desta posição Muitas vezes estamos sozinhos Hoje em dia cada vez mais vemos dois stage managers por palco, que é o como devia ser mas muitas vezes estamos sozinhos e então não temos chance os horários de agora vão ser das sete e meia até às três e meia quatro da manhã, se tiver mais alguma coisa a correr mal mais e depois a começar às sete e meia outra vez, portanto não vai compensar se o mais rápido vai ao carro dormir duas ou três horas do que a casa para vais para a cama, depois para te levantares é ainda pior há malta que ainda passa pior que eu palcos maiores, estive no Alive sei que a equipa do Alive do palco principal Todos os anos sofre bastante
Tu fizeste no Alive o terceiro palco?
Eu no Alive comecei Aliás foi o meu início nos festivais Foi no Alive no palco clubbing A fazer produção Portanto o backstage Com o Didi que foi a pessoa que me deu a primeira oportunidade Uma lenda lá do Alive E tive 3 ou 4 anos ali Depois comecei Tive a oportunidade de ser stage manager Nos palcos terciários Da música no coração Portanto foi sudoeste Sumol e Superboc Isto para aí em 2021 Se não me engano E então em 2022 Quando voltei ao All Live foi-me sugerida A posição de assistente de stage manager Do palco Heineken Então tenho estado lá até hoje Este ano vou fazer outra vez o palco Heineken
Que é o segundo maior
E na minha opinião é o palco mais difícil Este ano está ok Mas é o palco mais difícil do país Que eu conheço até agora Porque a questão é nós no palco Heineken E tu já lá estiveste várias vezes O palco é um palco secundário Mas muitas vezes tens lá bandas Que enchiam qualquer palco principal Ou que já estiveram no primeiro Ou que vão estar de um ano a seguir E estão a ser testadas um bocado ainda na Europa Mas muitas vezes aquilo está a deitar por fora a tenda E a tenda tem a aumentar todos os anos Já estamos em 10 ou 12 mil pessoas naquela tenda
Está gigante Em festivais não se tem noção de quantas pessoas é que estão
Eu acho que aquilo está entre os 8 e os 12 Está ali Está muita gente, tem crescido 8, 12, é maior que um campo pequeno É maior que um campo pequeno, na boa Fazendo a comparação assim A tenda está sempre a andar uns metros para trás Todos os anos aquilo Chegas lá e estás à espera que a tenda esteja num sítio E está mais um metrinho todos os anos E mais um metro com os 20 ou 30 de comprimento 30 metros quadrados já metes montes de gente
Qualquer dia é a maior é, não é?
Está assustador Então tu tens um palco secundário Com mais capacidade do que uma sala das maiores do país E depois tens bandas enormes Mas a doca para carregares o palco Como está ali A doca é apertada e só dá para um camião Não acompanha Só dá para um camião, a doca fica sempre igual Muda a estrutura, mas não conseguimos pôr mais caminhões ali Não dá, fisicamente Portanto, às vezes há uma ginástica Nossa e minha do Kilito Que é o stage manager E da equipa de produção, que também são Lendas do Alive, que é a Melania e a Andreia Há ali uma ginástica enorme Com os autocarros, aquilo que são bandas grandes Trazem autocarros onde dormir, muitas vezes E trazem mais caminhões de tiro Com material, ou seja Há uma ginástica enorme, pestas, entradas e saídas Milimétricas E acaba por ser muito complicado Porque os palcos principais Tu atrás tens uma doca que dá para 15 caminhões E uma equipa com 30 homens E é super difícil na mesma Mas tens ali meios Aqui no nosso, fisicamente é impossível Portanto, é sempre uma invenção
Já aconteceu algo tenso que não te vai esquecer?
Já, já, já. O ano passado aconteceu uma situação Assim intensa. Se pode contar? Eu acho que sim, não é? Porque não foi assim Ninguém se magoou, não foi um erro direto De ninguém São coisas que acontecem, tipo, nos festivais Tudo acontece, já vi tudo
É um multiverso
Foi com uma banda física, até conheces de certeza, a Cruang Bin Sim, sim. Pronto, então basicamente Passa na RTP Exato. E eles tinham Nós temos de ler os riders como stage managers Temos de ler os riders que são as informações todas das bandas
Das tours. Ou seja, tens o rider técnico
Exato, e nós ficamos com a parte técnica O hospitaleiro normalmente é para a equipa de produção Que também costuma andar
Toalhas de alimentos
Quantidades de tudo e mais alguma coisa que seja fora de palco Carros, hotéis Mas a equipa de produção dá-nos sempre uma ajuda A ler o rider técnico Que é sempre bom que se falha a um, o outro apanha
Mas o rider técnico muitas vezes parece outra língua
É super técnico Muitas vezes, e nestas tuas grandes ainda mais E fala tudo, é isso dos trados Das luzes, das necessidades de pessoas
É bem inglês, nem português É técnico São modelos de materiais
Sim, é uma coisa que Eu ao início estava muito preocupado Porque às vezes não percebi alguma coisa Mas foi-me dito também pelo Quilito Que era o meu chefe, na altura e agora Que se tu vais apanhando Como ser de manager tens muito mais De ser uma pessoa expedita Consegue fazer as duas coisas Falar bem com as bandas Mas ao mesmo tempo manter ali um pulso firme Na coisa E principalmente manter uma boa relação Entre as bandas e a equipa técnica Que quando corre mal É muito mal Portanto temos de defender a nossa equipa Mas tentar dar o que o artista quer Estamos ali no meio
Tu és diplomata
A diplomacia é das coisas mais importantes A parte técnica eu já tinha algum conhecimento Porque sempre fiz eventos mais pequenos Onde tinha mesmo de montar tudo à mão Mas fui ganhando E cada ano vou aprendendo coisas novas Por exemplo o ano passado foi a questão da eletricidade Que é super importante também das voltagens de diferentes países e depois da energia que cada banda vai precisar, porque há bandas que trazem imenso material, então precisam de fichas trifásicas e não sei o que, tipo que era chinês para mim e que agora já é um bocadinho Exato, exato.
Tarifa simples.
Mas todos os anos basicamente vais aprendendo mais a parte técnica mas então, estava a dizer que o Skurang Bin, o Raider técnico tinha lá, o Raider tinha tipo 40 páginas, uma coisa surreal E tinha lá uma linhazinha Pequena no meio daquilo tudo Que na minha opinião podia estar em bold Para ajudar ou ali uma chamada de atenção Mas tinha lá uma linhazinha a dizer Ah pá, o nosso cenário tem duas toneladas
Duas toneladas?
Não era o cenário É os contrapeses do cenário E nós lemos 40 riders, não é? Li várias vezes aquilo, fiz o meu quadrozinho Apontei tudo o que eram informações necessárias Passou por várias pessoas E nenhum de nós Tipo, memorizou Ou ficou com a atenção focada Na cena das duas toneladas Normalmente as coisas resolvem-se no dia Os imprevistos e não sei o quê Só que duas toneladas é muito peso E é muito peso para carregar de uma vez Então quando eles chegaram, basicamente Quando estávamos a tentar pôr as coisas para cima do palco A rampa de carregar as coisas Partiu-se, abateu E com o peso, abateu E o nosso medo era que Mesmo se puséssemos aquilo no palco As placas do palco, como o peso não estava distribuído E está centrado nos contrapesos Que o palco abatesse Em certas partes Portanto, pronto, basicamente quando eu cheguei lá Porque eu tinha feito o turno da noite, então cheguei um bocadinho mais tarde Quando cheguei lá estava a rampa partida Um caos, pá, foi Fora mesmo
Como é que se resolve?
Planos Bs, planos Cs, brainstorming E foi uma coisa bonita, por acaso Resolveu-se de uma maneira assim, icónica Que foi, basicamente Decidimos fazer a montagem do cenário Sem os contrapesos E suspender o cenário todo nos trusses De cima, ou seja, os trusses são os ferros Que estão nas partes de cima do palco Que seguram tudo o que é luz, é crãs E tudo e mais alguma coisa Então basicamente tivemos um changeover De 40 minutos ou 45 E decidimos montar Esse cenário todo no changeover Então vieram pessoas De todos os palcos a ajudar Às tantas éramos 40 ou 50 no palco ao mesmo tempo Os senhores Da banda e os managers estavam super preocupados Está como nós, eles achavam Ao contrário de nós que aquilo não ia funcionar E nós, acho que fizemos Era 45 minutos e tipo em 30 Tínhamos tudo pronto E decorreu tudo normalmente, para o público não se passou nada As pessoas simplesmente ficaram um bocadinho mais divertidas Porque quem está ali na front line Durante a mudança de palco De repente viu 50 pessoas em palco Tudo a trabalhar de lado para o outro E há mega produção E pronto, acabou por correr tudo bem Sem espinhas, não usámos os pesos Mudou-se a rampa para o dia a seguir Um dia a seguir foi como se não tivesse acontecido nada Incrível Mas na altura esse dia foi muito intenso Mais que o normal Foi suave-nos bastante
Espero bem que isso seja anormal
Uma por festival tem sempre Uma por festival é uma boa média
Tu também és tour manager?
Eu sou tour manager Sou road manager mais Ainda não fiz nenhuma tour grande Já fiz tours pequenas com artistas mais underground Como o Tilt Ou com o Alcohol Club
Tu estás muito presente para quem não está a par No universo hip-hop
Exato, no panorama do hip-hop assim E mesmo boom-bap Debaixo de baixo de baixo Então já fiz tours assim mais pequenas Agora com o Tilt fizemos 5 ou 6 datas pelo país Portanto aí já fiz sim Tour management Mas normalmente são mais road managers Chamados para datas pontuais De bandas maiores Por colegas que como são road managers de várias bandas Normalmente precisam de substitutos Portanto
Um road manager Mas o quê?
O road manager está do outro lado do stage manager Portanto, enquanto o stage manager Tem a função De quando as bandas chegam a ter tudo preparado Para fornecer O road manager tem a função de chegar com a banda E mais de exigir E de pedir E de dizer que preciso disto ali
Isso é como o jornalista com o assessor De um político
Exatamente, tem ali as funções que se completam Então como tour manager Às vezes faz logística Às vezes não, mas basicamente Tens de marcar e tratar da parte Dos hotéis, das deslocações, dos horários Como é que tu fazes isso?
Como é que tu escolhes o menor hotel? É o hotel que é mais em conta? Depende do teu budget
Depende do budget se foste tu a pagar Ou depende do que é que a organização te oferece A produção muitas vezes fornece o alojamento Claro que temos sempre de verificar se as condições estão Tão bem, porque já aconteceu também Chegarmos a sítios em que A produção marcou um sítio muito mau Mas é raro, felizmente Portanto, convém Quando é um festival maior, a produção envia-nos Olha, vocês vão jantar aqui, vocês vão dormir aqui
Que é mais fácil para um road manager, se põe
Super fácil, muitas vezes Agora ainda me aconteceu, fiz uma data com o Misia Miles Há duas semanas, como substituto de um colega E foi-me apresentada mesmo Uma road sheet, ou seja, um horário a dizer Tens de apanhar a carrinha aqui a estas horas E ter quais pessoas aqui a estas horas Estas horas é para montar, estas horas é para jantar Tudo organizadinho
Eras mais um operário
Sim, completamente, só tive de garantir que os horários eram todos cumpridos Claro que depois, como sempre, houve mais complicações lá, como só teve de resolver Mas o essencial é, com complicações ou sem, cumprir os horários Para estarmos prontos à hora do espetáculo e as coisas correrem de acordo com o planeado Portanto, como tour manager, tens mais essa preocupação de controlar os artistas
Sim, ou seja, em vez de o teu cliente passar a ser um palco, o teu cliente passa a ser um artista
Exato, ou seja, assegurar às vezes Quando é necessário que não há grandes excessos Antes do concerto Porque depois é este meio
É que este meio é muito sui generis Tem este lado muito humano Muito boêmio E que às vezes parece que é clichê Dizer a vida de artista E a vida das drogas e a vida do álcool Mas é, faz parte
É clichê porque acontece muitas vezes até hoje Artistas e equipas e toda a gente está envolvida
Há muito álcool e muitas drogas neste meio
Porque imagina E a mim é uma coisa que Não sei se isto é correto se dizer Como stage manager ou como tour manager Uma coisa que não me faz confusão Tanto nos artistas como nas equipas Desde que as pessoas não falhem Às suas funções As pessoas podem ter os seus hábitos Quando há excessos muito graves Uma pessoa tem que falar Ou quando alguém prejudica o espetáculo Por causa de um hábito Uma pessoa tem que falar Mas até lá Se as pessoas conseguem gerir Ninguém está num escritório Ninguém está numa Deloitte Ninguém é assessor de um político Portanto, são coisas que vêm com o job Faz parte
Que criam aquelas minicomplicações, mas que fazem parte também do job Fazem parte
E hoje em dia a nova geração é muito menos assim Então os técnicos mais novos Ninguém bebe, nada
Pois, acompanha um bocado a tendência da geraçãozinha
Exato, muito mais sérios Acordam todos de manhã, vão correr Exatamente, malta, agora também estás nessa
É verdade, culpa
Ainda não cheguei lá, mas gostava Mas é isso, a malta é muito mais saudável agora O que é bom, é bom Mas eu tenho que confessar Porque às vezes tira um bocado a piada
Faltam-te as histórias Vens aqui a ser entrevistado
Aquelas loucuras A malta acaba de trabalhar e beber uns copos Eu também não sou muito assim Quando acabo o meu trabalho e tenho trabalho um dia a seguir é direto para o hotel Mas pronto, é giro, faltam essas histórias Faltam esses acontecimentos Mas respeito, quanto mais saudável melhor As coisas correm melhor também Por mim está tudo bem
Há bocado falaste de underground, underground, underground Eu gostava também de te explicar E já voltamos também a este tema de festivais Mas como é que tu defines o underground? O que é para ti ser underground? É alguém que não chega às massas intencionalmente? É alguém que não chega às massas Porque faz um tipo de música que as massas não vão gostar de ouvir?
Eu acho que principalmente Claro que tem a ver com não chegar às massas Mas muitas vezes não é uma opção Claro que um artista tem sempre a opção De tentar fazer música comercial Mas tem muito a ver com a música que o artista faz E que produz naturalmente Ou seja, Portugal é um país pequeno Ou seja, os nichos são ainda mais pequenos Portanto, se és um artista que não está A fazer o género de música Que está em voga no momento Vais sempre acabar por tocar Para muito poucas pessoas, especialmente fora de Lisboa Ou seja, o underground para mim É isso, é a malta que se mantém fiel Ao seu género de música Seja ele qual for Mesmo quando não é um género que está em voga E mesmo quando não tem muitos concertos Quando têm de ter um emprego ao mesmo tempo A maioria Mas basicamente pessoas que mantêm Estilos de música menos comerciais Vivos Basicamente o underground para mim é mais isso
Qual é que é a fronteira com o ser purista?
Como assim?
Ou seja, a questão de Aquele fez um som Que roçou um estilo mais popular Bateu e não voltou mais underground
Pois isso Julga-se? Julga-se Eu não posso mentir Quem me conhece sabe Julga-se bastante Às vezes é uma progressão normal do artista Em que o artista começa no underground E vai evoluindo E vai evoluindo até aquele ponto E aí a coisa é natural Outras vezes vê-se que as pessoas
Gostaram do dinheiro que caiu na conta
Gostaram, mantêm E renegam completamente Os sons e o meio onde se incluíam Antes E aí já não consigo Apoiar muito Ou seja, consigo apoiar Neste caso rap Que é o estilo que eu estou mais ligado Rap que ficou comercial Ou que chegou às massas Por exemplo, um Deelas Um Plutónio Consigo valorizar imenso Mas depois há pessoas que fazem De propósito para tentar Bater e pronto Já não consigo apoiar E aí já não vou falar de grandes nomes
Não é necessário Aqui só falamos sobre as coisas boas Ou então sobre histórias mirabolantes Qual é o melhor festival em Portugal?
O melhor festival em Portugal Para mim em termos de organização é o Alive Não há hipótese É o único que eu conheço Mas eu nunca fiz o Rock in Rio Nunca fiz o Paredes de Cora E nunca fiz o Primavera Primavera e o Paredes de Cora todos os anos estou a tentar A chatear as pessoas E ainda não consegui, mas hei de conseguir
Eu enquanto trabalhador também em festivais Noutro Ramo, adoro Primavera Primavera é muito confortável
É isso, tenho um amor também ao Primavera
É isso, também pelo público Pela energia Mesmo pelos artistas Mais pop Não são o pop Que vai ao Rock in Rio, por exemplo Ou mesmo ao Live Mas o Primavera tem uma energia muito especial Eu nunca fui Vou trabalhar pela primeira vez este ano no Paredes Estou muito curioso
Paredes também só fui com o público E tem uma energia completamente diferente De todos os outros festivais Ou seja, como público Eu diria que se calhar o melhor é mesmo o Paredes O Paredes e Primavera É bom por causa do cartaz Mas o Paredes em termos de espírito é incrível Para trabalhar é o Alive Tipo, sem dúvida
Tu já fizeste também alguns Que oscilam naquela órbita do mistério O Boom, por exemplo
Nunca fiz o Boom
Então esta fotografia é onde?
Esta fotografia é no MOGA Ah, não é Caparica Era Caparica do ano passado Mas dá-me vibes de boom Acho que a equipa é a mesma do Lisbon E não sei se eles não põem algumas estruturas no boom também Fiz o Lisbon
Fazer o Lisbon E atenção que eu não digo que a música é má Mas é um estilo muito E que não é o meu de todo E eu lembro-me que uma vez apanhei-te lá Eu fui conhecer o festival porque eu acho que era um sítio bonito E os palcos são lindíssimos Os palcos do Lisbon são incríveis Depois o estilo não é muito para mim Que é um bocado agressivo Tu enquanto stage manager Não sei se estavas enquanto stage manager Tu estavas sempre a ouvir aquela música Enquanto lá estavas
Nesses festivais de música eletrónica Ultimamente os que tenho feito é o Lisbon e o Moga Pá, é duro Não uso os tampões? Aqueles loops que agora toda a gente usa E agora tenho-me habituado E este ano estou a usar em todos os festivais Porque nos anos anteriores Uma pessoa chega a casa sempre a ouvir Os pis, perca de frequências E faz bem à saúde Uso sempre no palco
Mas a minha eletrónica bate um bocadinho mais Porque é um tipo de som Que é muito monótono Durante muito tempo Ou seja, as músicas são grandes e são repetitivas Tem esse estilo de Criação musical E aquilo se não estás no mood Ou se não é para ti
É muito intenso E os palcos que eu fiz nesses festivais São palcos no Lisboa Acho que durava Doze horas de seguida De música, fora o resto E é sempre sem parar Ou seja, o nosso objetivo nesses festivais E agora no MOGA há um mês e tal foi igual O nosso objetivo é mudar os DJs Sem a música parar
Ah, fazer uma passagem Na mesma mesa?
Depende Aí é que things get tricky
Porque há artistas que levam a sua própria mesa
E que pedem mixers diferentes E que pedem pratos e vinis e CDJs e tudo diferente e nestes festivais acontece também outra coisa nos festivais com bandas temos sempre uma equipa grande nestes festivais muitas vezes é o stage manager uma pessoa do som e uma pessoa da luz e como eles estão agora falo no MOGA por exemplo eles estão a operar na RG então eu como stage manager assumo as passagens de artistas mesmo com as mãos na massa nos festivais grandes eu não desligo e ligo cabos tenho que ter um overview fico mais de lado do palco a ver tudo o que se passa A ver onde é que há lacunas E aqui é mãos na massa E mudo eu os cabinhos todos Sem parar a música Então tipo, é muito tenso Porque tens artistas de sete de duas horas
Mas como é que uma música não para é só tirar cabos e meter cabos
Então, explicando Mas mais tecnicamente Agora, caso real, no MOGA Tive uns DJs franceses Super conhecidos Agora está-me a faltar o nome Mas conhecem São antigos Mas pronto, o The Blaze Estavam The Blaze a tocar E depois tinha outro DJ Que tocava com um mixer diferente, basicamente E era o único do dia E depois o DJ a seguir já tocava outra vez com a primeira Então, como é que fiz? Neste caso não tinha de trocar CDJs E pratos, portanto era CDJs All around CDJs são o que vocês veem A maior parte dos DJs a utilizar São aqueles aparelhos que têm Assim uma rodinha, uma jog wheel Onde pões a pen E envia a música Dá para controladas a música Mas são CDJs individuais Não são os controladores que já são all in one Portanto estes DJs tocavam com dois CDJs De cada lado da mixer E a mixer que é onde controlas as faixas E os volumes Os graves também Exatamente, aquilo mais conhecido como material DJ O mixer no meio Neste caso eu falei com os DJs Para ver se eles conseguiam terminar o set Do lado esquerdo A passar a música do lado esquerdo Com uma faixa um bocadinho mais longa E então Nesse final, esses últimos 5 minutos Quando largaram a última faixa Eu tive de afastar os CDJs da direita O máximo para a direita possível E keep in mind Que se das um esticão não cabe a música para E aí isso é tenso É ali uma pressão grande Portanto, chegar tudo com cuidado para a direita Abrir um espaço ao lado da mixer principal Para outra mixer onde caiba E buscar outra mixer, pôr E depois primeira cabelagem Ou seja, primeiro pôr o power Na mixer Desligar os dois CDJs da mixer que está a tocar Com cuidado e ligar na mixer Que está a ser montada E depois pedir aos outros DJs que vêm a seguir Para começarem do lado direito Saí do palco Tenho duas malhas, ou seja, o master Tenho dois masters diferentes Tipo, um para uma mixer e um para outra Depois pedir aos outros DJs para começarem do outro lado Eles cumprimentam, se eu saio do palco Metem a música do lado direito Quando vão para o lado direito, os outros saem do palco E eu faço o contrário Tira a mixer onde está a ser utilizada Faça as ligações todas novamente para a mixer que está a ser usada E quando é com os CDJs e techniques É igual É um bocado mais tenso por causa do vinil Por causa dos skips, de saltar Mas pronto, é chegar os CDJs para o lado Pôr o vinil, calibrar a agulha Ligar, é tipo
Sim senhor
Mas nesses festivais é até bom Porque estás ali duas horas Em que durante o DJ set não tens muita coisa para fazer Não sei ver se está tudo a correr bem Como tu dizes, a monotonia apanha-nos Então aqui Dá para acordar Estes changeovers de 5 minutos que te parecem De 2 horas Dá para acordar, é giro
Posso fazer-te uma pergunta familiar? Eu cresci, e acho que isto é comum Crianças crescerem no local de trabalho Dos pais, muitas vezes É seguir à escola, vão-nos buscar Ou temos que fazer tempo No meu caso, já o disse várias vezes O meu pai é médico E eu cresci muito em consultórios Nos corredores, consultórios Enquanto meu pai estava a acabar de fazer exames Tu cresceste em tour Tu cresceste em palcos Dentro do contexto Como é que foi essa infância?
Foi de palco em palco Foi vida em palco Como podem ver E basicamente sim O meu crescimento A minha mãe e eu íamos a muitos concertos Eu dormia nas carrinhas Com duas cadeiras juntas Andava a brincar nos palcos Com que idade? Desde sempre Desde que comecei a sair de casa Aos 2, 3 anos E depois a partir dos 7, 8 Comecei mesmo a andar mais com o meu pai Minha mãe às vezes no verão quando eu estava de férias Minha mãe é professora Estava ainda a tratar de coisas, a trabalhar E eu ia com o meu pai um bocado em tour Quando ele tinha coisas para fazer Alguém da equipa técnica ficava comigo E são pessoas que ainda estão com os chutes hoje em dia Que são familiares meus, completamente O Eduardo, o Nuno Preto O Escada, são malta mesmo São meus familiares E tomavam conta de mim E era ali a criança da equipa Eu e os filhos Às vezes os filhos dos outros músicos também iam
Que até é algo incrível
Mas eu por acaso lembro-me que E é mesmo a muitos Muitos concertos E por acaso várias vezes já pensei nisso E já tenho pensado Que quando cheguei à parte Eu estudei, tirei um mestrado Em psicologia O meu pai ficou super contente A minha mãe, porque foi o primeiro irmão a ir para a faculdade E não sei o que, os meus irmãos também Um é músico e o outro é produtor também de eventos E manager não sei o que, portanto Estão na música Sim, os meus tios também E eu fugi um bocado à cena Eles ficaram contentes, mas Durante a faculdade fui sempre organizando eventos pequeninos De hip-hop cada vez maiores E não consegui fugir Quando cheguei ao fim da faculdade já sabia perfeitamente Que era isto que ia fazer E muito também Por causa desse crescimento Que assim que cheguei à parte de trás dos palcos À produção do clubbing No Alive, que foi a primeira vez que fiz um festival Percebi Que, pronto, e não é Para agabar Mas percebi que tinha ali alguns entendimentos
Claro, era familiar
Que me surgiam naturalmente Que pessoas às vezes têm de estar muitos anos Ali para perceber E às vezes são só instintos Uma pessoa decide ali Em milésimos de segundo Ou a maneira como se fala com as equipas, com os artistas São coisas que eu apanhei sempre Do meu pai e dos meus irmãos E o meu pai especialmente Porque é uma pessoa que É o único que continua a ir Vai mais cedo, vai com a equipa técnica para os concertos Fala a toda a gente, aos técnicos Desde o gajo que carrega até Ao gajo que limpa, aos camarins E sempre tive muito essa escola De me relacionar Assim com as pessoas Tanto que até já levei na cabeça algumas vezes De superiores Por me integrar Imenso nas equipas mais técnicas E mesmo nos stage hands Que tu conheces a equipa da Tapada Crew ou não?
Conheço o símbolo pelo menos
Eu desde miúdo que andava com t-shirts da Tapada Crew Que o meu pai trazia-me, eu gostava imenso do símbolo Então pá, para mim, as pessoas que eu me dou melhor São sempre a malta da Tapada Stage hands é a minha malta E pronto, por causa dessa escola que tive O que é ótimo Mas às vezes também é preciso haver Alguma distância Para depois quando as coisas apertam E quando é preciso dar ali Alguma ordem à coisa Uma disciplina Continuasse a ser respeitado Portanto eu nos primeiros anos tinha muita dificuldade Em estabelecer esse equilíbrio E era muito one of the guys E depois perdia Esse tal respeito Agora acho que já estou bem nos dois lados Claro que às vezes deslizo sempre um bocado Para a parte da tapada Mas sim, acho que já estou um bocadinho melhor nisso Mas pronto, a escola que a minha infância me deu Ajudou-me sem dúvida A seguir este trabalho E a estar onde estou Na idade em que estou
Se tivesses que dizer o número de concertos De tu tipo de tapés que viste Não, não
Não sei se chegou a mil Mil não, se calhar não Mas tipo quinhentos, mais
É possível
Porque ainda hoje em dia, sempre que posso vou Ainda agora fui no Rock in Rio Sempre que posso vou A minha banda preferida Portanto, sempre que posso estou lá E continuarei a estar
Literalmente
Uma vida em palco
Que é também por isto que te chamei
Exatamente
Não só porque nós temos acompanhado o percurso um do outro Sim, sim, sim
Desde a escola, desde a secundária
E tem sido fixe ver-te a crescer
Igualmente
E foi exatamente isso que escreveste na indicatória para o meu livro Muito obrigado Tu escreveste, a oração pelo apoio ao longo dos anos Bom ver-te a crescer E temos acompanhado o percurso um do outro Tu és fotógrafo E fizeste um livro de fotografias Da vida em palco Depois eu vou-te pedir até para a promoção deste episódio Que me envies algumas fotografias Para a malta perceber O que acontece por aqui Eu queria mostrar aqui algumas em câmera Mas no fundo tu divides isto por setores
É a história de um festival, por exemplo
Tu começas com o primeiro capítulo Será mesmo palcos?
É, exatamente
Depois tens montagens
A equipa
Showtime Descanso Mas falta aí um Será o que? Será a equipa? Será artistas?
Acho que sim A equipa
Montagens Passamos para Digo já Bem, nem imaginador de cabeça Showtime
Já foi, foi entre os outros dois Acho que
É capaz de ser pequeno, aqui já é o descanso
Não, foi entre os outros dois A seguir à equipa tem os artistas
Equipa Ah pois é, e não é esta, não é que eu apareço neste livro
Eu e a minha querida amiga
Catarina Moreira, quando estávamos a trabalhar Nos play
Sim, mas tens equipa, depois tens artistas E depois tens showtime, ou seja, os artistas é a parte Mais de backstage, em que os artistas estão em não Contexto de concerto, e depois o showtime É mais o foco em concerto
Portanto, a capa já sabemos que é no MOGA Que é fotografia da página 33, se não me engano Eu anotei aqui algumas Para termos algum contexto Infelizmente o tempo aperta Porque a conversa é agradável Mas anotei aqui a 20 Que se não me engano É um senhor a fazer uma pintura Um desenho Quem é?
Não sei quem é O contexto mesmo do livro Sou fotógrafo como hobby Tenho uma point and shoot sempre no bolso E vou apanhando ali rapidamente Sem grande cana Porque não há a minha função para fotografar
E sabes em que palco é que isto é?
Sei, é no Sol da Caparica do ano passado E sei que estava lá a passar no palco E vi este senhor Que era um dos stage-ants Das pessoas para o trabalho mais físico E que ali numa pausa Em vez de estar a dormir ou fumar um cigarro Estava a desenhar Num diário gráfico dele pequenino E desenhava bué mesmo
Aqui o que aparece parece muito bem desenhado
Era muito bem desenhado
Estava numa fase muito inicial
Porque é isso tu ali nos palcos Especialmente nessas equipas de stage-ants Que a malta está lá para trabalho físico Apanha as pessoas todo o tipo Pessoas que já tiveram trabalhos em grandes empresas E que tiveram burnout e agora estão lá Miúdos que saíram da escola E que não tinham outra cena para fazer Pessoas que querem mesmo trabalhar em festivais E não conhecem ninguém, não têm nenhum skill Então começam por ali para aprender Passar três anos já estão noutra empresa Por exemplo, um rapaz que é o Francis Que trabalhou comigo Ele era stage-end No primeiro festival que eu fiz de Somol No Palco 3 E com quem me dei super bem, que fui vendo todos os anos Viu agora no Rock in Rio E ele já é o responsável de uma empresa Que monta led walls Nos stands Ou seja, tens muita gente diferente Nestas equipas de stage hands Tipo, malta mais velha, mais nova Todos os walks of life Todos os sítios
Que é uma vida que, pelo menos entre maio e setembro, muito nómada
Muito nómada De sítio para sítio, sem parar Malta a trabalhar 30 dias seguidos Brutalidades, tipo, quilómetros Tudo a recibos verdes Na precariedade máxima E essa malta sempre com um sorriso na cara Sempre boa onda E é isso, são pessoas que depois têm hobbies e skills Que tu nem imaginas bem Por exemplo, este senhor que desenha
Imenso Eu notei aqui também a 48 Será o David Carreira a dar toques na bola? É possível
Não sei se ele me processa Se vir isso Está ficando a foto ou não? Está incrível Essa foi também no Sol da Caparica Foi o mesmo palco
O David Carreira a dar toques na bola
Foi daqueles que tirei mesmo a máquina do bolso Tirei assim duas chapas rápidas Dá toques numa bola de Portugal Portanto foi tipo mesmo Faz um close-up aqui interessante Sim, tem algumas páginas com um close-up Assim, em algumas fotografias mais A contracapa é um close-up da primeira, não é? Exato, é assim uma janela da primeira A minha ideia era fazer mesmo recortado Mas pá, em termos de custos não era viável
E aí depois obviamente marquei a 50 Pelo lugar de família
O Tim também não sabe
O Tim não sabe?
Estou a chivar outro livro Estás mesmo a ir às certas É um retrato que eu tirei Já nem me lembro onde Foi incluído a última da hora Isso não era para entrar no livro E entrou mesmo na última versão
São quantas fotografias?
São 99 Eu lembro que depois fiquei super chateado Por não serem 100 Depois com close-ups e não sei o que são mais Mas acho que fotografias individuais são 99 E eu tinha muito mais Mas o livro ficava uma bíblia
Acho que isso ilustrou bem
Desde as montagens até às equipas Artistas
É muito fixe porque ainda por cima Para quem trabalha em festivais Há aqui muitas caras que eu conheço O que vou vendo Inês, por exemplo Depois o glossário Tu no glossário explica só Para quem não percebe nada disto Tu tens a máquina e o rolo?
Tento ter o local onde tirei O ano, a máquina e o rolo Algumas fotografias têm um título Mas é principalmente porque não queria pôr Informação junto às fotografias Para não ocupar ali a página Também é aconselhado por malta que sabe E optei por pôr aí Porque gosto de saber Quando vejo fotografias Eu sou fã da fotografia analógica acima de tudo Gosto de saber isso, os rolos, as máquinas Essas coisas mais nerds Pronto, é mais uma informação para quem quiser informar-se
Isto é um livro que pode ser adquirido
Pode ser adquirido, Instagram, mandem-me uma mensagem
É pesquisar Max Ferreira
Max.ferreira, o DJ.algor E o DJ Algor, onde é que anda? O DJ Algor está assim mais paradinho Mas com vontade de voltar
Muita coisa a acontecer na vida também, não é?
Sim, sim, lançámos agora também o disco do Ócio Com o Catalão Que é o melhor disco agora Este ano já saiu esse e já saiu do Tilt também
É verdade, não tivemos tempo muito para a Lume Mas vale a pena pesquisarem A Lume tem para mim dos melhores live acts que há Em personal
Eu adoro os Lume Sessions E o BNB, por exemplo
É incrível
É das melhores coisas que já fizemos
É mesmo muito, muito bonito
A Lume sempre foi uma plataforma Para nós fazermos vários tipos de projetos E eu sou muito peco também nisso Como é o meu hobby ali entre festivais Acabo que gosto de fazer um projeto E depois passo logo para uma coisa Ou seja, fazemos uma exposição, um ciclo de cinema Uns concertos Parece que não repetimos bem Mesmo essas fórmulas que resultam Parece que não temos a cena de repetir Temporadas, não é? Temporadas, parece que fazemos uma E avançamos para o próximo projeto Lançamos um bocado as cartas E depois esperamos que alguém também se sinta inspirado E que faça coisas semelhantes Basicamente é o nosso papel É só dar pontapés de saída Para a malta
Pontapés de saída agora é uma rajada De festivais
Exato
Boa sorte para as próximas semanas Vou precisar Tenho semol
Depois tenho a live direto E depois tenho marés vivas direto Só que vou às segundas-feiras a casa a lavar roupa E depois descanso uma semaninha Depois descanso uma semaninha E faço O Sol da Caparica e o Vilá de Mouros Já fiz o Moga e o Northfest E são sete Este verão Pode ser que surja ainda mais alguma coisa Mas datas soltas como a do Missy Mouse por exemplo E fiz Semorra também, foi muito divertido
Na Casa Capitão? Estava lá Eu estava na plateia
Chamaram-me assim à última hora, foi incrível Foi muito divertido
Tem álbum novo já agora Vou ouvir o Isaac, o Zigarro e o Armando Teles Ora bem, obrigado Max Ferreira
Já acabou
Eu também ficava Também ficava mais algumas horinhas Comprem o livro Vida em Palco Do Max Ferreira, pesquisem no Instagram E oiçam o trabalho da Lume O EP Mixtape
De Rajada Pode ser que saia agora uma nova Mais para o fim do ano
Vamos a isso, sim senhor, obrigado Max, um grande abraço Obrigado Will, até já
Vocês sabem lá Com Alexandre Guimarães
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